Executivos da Singularity University preparam o Brasil para o desenvolvimento da robótica

Em setembro de 1962 começava a ser veiculado um desenho animado que era o retrato do futuro. Os Jetsons representavam uma típica família americana que vivia em 2362, usufruindo de máquinas, carros e cidades flutuantes, hologramas e outras dezenas de invenções da vida moderna. Ainda estamos bastante longe de uma realidade como a dos Jetsons, mas o que torna os dois cenários um pouco mais próximos é a iniciativa de alguns especialistas que querem desenvolver a robótica e a inteligência artificial no mundo.
Em 2008 os futuristas Ray Kurzweil e Peter Diamandis criaram a Singularity University (SU), uma espécie de universidade do futuro, alocada no campus da NASA no Vale do Silício, nos Estados Unidos, que nasceu para preparar os executivos, empreendedores e pensadores do mundo para as rápidas mudanças pelas quais a humanidade deve passar no próximo século. Para eles, a lógica é que a evolução da tecnologia é exponencial, já que um avanço tecnológico permite outro avanço e o ritmo da evolução da tecnologia se torna cada vez mais rápido.
Claro que ao analisar essas mudanças em países menos desenvolvidos como o Brasil, não dá para negar que a evolução tecnológica, principalmente em se tratando da troca de mão de obra humana por robôs, anda a passos bem mais lentos do que em outras regiões como a Europa e a América do Norte. Porém, Dan Barry - ex astronauta da NASA, especialista em robótica e inteligência artificial, e um dos palestrantes da SU - acredita que mesmo o Brasil tem chances de em um futuro próximo mudar a realidade do país. "Haverá um tempo, mesmo no Brasil, no qual será usual para a maioria das pessoas ter um robô. As pessoas irão usar seu tempo fazendo aquilo no qual os seres humanos são bons: criar coisas novas", diz com otimismo.
Já Salim Ismail - executivo da SU, um dos maiores empreendedores e investidores do Vale do Silício e ex vice-presidente de inovação do Yahoo - acha que o Brasil tem uma combinação única de pessoas que têm ambição e desejo de aprender, ao mesmo tempo em que apresenta problemas estruturais de educação, saúde, violência e fome. Para ele, essa combinação é importante inclusive para o estudos, pois a tecnologia pode fazer progredir alguns desses aspectos também. E foi justamente pensando nisso que a SU veio ao Brasil para realizar um programa de palestras que abordaram assuntos como Sistema de Rede e Processamento, Nanotecnologia, Biotecnologia e Bioinformática, Medicina e Neurociência e Energia e Sistemas Ambientais. "O Brasil é realmente um país enorme que enfrenta muitos problemas comuns a vários outros países. Se nós conseguirmos resolver ou minimizar esses problemas aqui, seremos capazes de fazer isso em qualquer lugar do mundo", explica.
Apesar disso, o Brasil vem conseguindo boas evoluções no campo da robótica. Recentemente o hospital Albert Einstein fez a primeira cirurgia robótica de baço da América Latina, usando o robô cirurgião Da Vinci, e um professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná começou a desenvolver robôs capazes de identificar e informar em tempo real informações sobre as plataformas de petróleo, mas tudo isso ainda é pouco perto do que sugere Ismail. Para ele, o país deve incentivar os riscos entre os empreendedores brasileiros e qualificar seus profissionais para que os robôs fiquem com as atividades diárias que os seres humanos não queiram fazer e se dediquem a desenvolver coisas novas. "Nós iremos usar nossa energia para fazer as coisas nas quais somos bons: criar, descobrir como o mundo e o universo funcionam, construir, fazer arte, música, dança", conclui o executivo.
A Singularity University já formou mais de 250 alunos de 45 países diferentes ao longo dos dois anos e agora se prepara para levar seus renomados cientistas e pensadores da atualidade para todo o mundo. Por meio de um modelo de parcerias que está sendo testada na FIAP, instituição brasileira, o corpo docente da SU deve seguir com seu programa executivo de inovações tecnológicas para preparar a humanidade para um novo cenário.

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