Birgitta Jónsdóttir, ex-voluntária do Wikileaks, contratou advogados norte-americanos para se opor aos esforços do governo dos Estados Unidos de obter o conteúdo de sua conta no Twitter, de acordo com o site Cnet. Birgitta é membro do parlamento islandês e colaborou com a liberação do vídeo dos militares americanos no Wikileaks.
Nesta sexta-feira (7), o Twitter notificou Birgitta e outros usuários de que o Departamento de Justiça dos EUA tinha uma ordem judicial para obter “informações das contas dos assinantes”. A ordem abrange possíveis contas ligadas ao Wikileaks, incluindo o perfil de Bradley Manning, o militar americano acusado de enviar documentos sigilosos à organização, e de Julian Assange, o fundador do Wikileaks.
Segundo o site Cnet, o governo americano iniciou uma investigação criminal contra o Wikileaks e Assange, em julho do ano passado, quando a organização começou a divulgar documentos confidenciais do Departamento do Estado. No entanto, o caso de Birgitta é mais complicado, pois ela é um dos 63 membros do parlamento nacional da Islândia que atua no Comitê de Relações Exteriores e, portanto, esta ordem judicial pode causar um incidente internacional.
O portal de notícias não soube dizer se Jónsdóttir é uma suspeita criminosa. O que se sabe é que Assange está sendo investigado por violação da Lei de Espionagem e formação de quadrilha para burlar a segurança dos computadores militares. No entanto, tanto Birgitta quanto Assange parecem tranquilos com as ordens judiciais. “Se a mensagem com a intimação foi para me assustar, fracassou”, disse a ex-voluntária em uma mensagem postada em seu Twitter.
Nesta segunda-feira (10), o Wikileaks publicou um comunicado de imprensa que conta que Assange está recebendo diversas ameaças. “Os funcionários e colaboradores do Wikileaks também têm sido alvo de retórica violência por personalidades proeminentes dos Estados Unidos, incluindo Sarah Palin [ex-governadora do Alasca] que pediu o governo dos EUA para ‘caçar o chefe do Wikileaks como o Taliban’”, dizia o comunicado.
Jónsdóttir era uma aliada bastante próxima de Assange quando se tornou voluntária do Wikileaks. No entanto, depois que o chefe da organização foi acusado de agressão sexual, a ex-voluntária disse que o Wikileaks deveria encontrar um porta-voz que não fosse tão controverso. “O Wikileaks precisa de um porta-voz mais conservador e não uma pessoa forte. Dessa forma,a mensagem será entregue sem que o mensageiro receba toda a atenção”, comentou Birgitta na época. Embora ela tenha dito que não acreditava nas acusões contra Assange, ela sugeriu que ele se afastasse da organização, porém, o fundador não fez isso.
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